Nosso espaço deProtagonismo e Pertencimento

Todos os filhos crescem e se transformam em adultos

Márcia Costa - Cedro

Todo mundo sabe disso, mas quando os filhos têm condições de saúde mental com suas peculiaridades em relação à autonomia, as famílias muitas vezes se veem embaralhadas numa dinâmica diferente em relação a esta transição. E é justamente por isso que nós mães TRIMS devemos parar um pouco e fazer uma autocrítica importante. 

A gente sabe que não é fácil, mas é necessário repensar posturas nessa fase.

A visita ao Cedro Educação Especial, no Rio de Janeiro, no último dia 07 de agosto, me fez pensar muito sobre isso.

Campos Humana e Equipe Cedro Educação Especial

O que é a Cedro Educação Especial, quem são suas sócias e tudo o mais, vocês podem ver no vídeo da entrevista que a Campos Humana fez com a Pedagoga Especialista Márcia Lippincott Ferreira da Costa, cujo link segue aqui: https://youtu.be/MtGR9QZlI_4

Entrevista com a pedagoga Márcia Costa

E fica a dica, esta conversa é imperdível, pois além de mostrar o trabalho pioneiro, sério e humano de uma instituição de educação especial ativa há mais de 30 anos, adianto que, em cada história ali compartilhada, a conclusão a que se chega é que não há como uma mãe TRIM sair de lá sendo a mesma. A gente explica: 

Logo que terminei aquela entrevista, fui visitar as instalações da Cedro e vendo as fotos nos porta-retratos espalhados pelo espaço, muitas coisas me vieram à cabeça e já saí de lá ansiosa por compartilhar com vocês, mães TRIMS:

1. Sorrisos de felicidade numa foto

Uma fotografia em particular me chamou a atenção. Era uma foto antiga com quase 15 pessoas, em um lugar público, do passado, pessoas extremamente felizes, o que vi logo em seus rostos. Este foi o primeiro detalhe que me hipnotizou, a tal ponto que não percebi de pronto que uma das pessoas era um cadeirante, outro parecia ter muito mais idade que os demais, chegando próximo aos 40 anos; alguns tinham Síndrome de Down e outros eram portadores de deficiência intelectual, que é um dos maiores públicos da Cedro. 

Esta primeira impressão sobre a foto já me fez concluir uma coisa: o olhar de felicidade de todos aqueles jovens e adultos, homens e mulheres que ali estavam numa programação social com amigos, só comprova algo que os estudos científicos há tempos já dizem: para envelhecer com qualidade, devemos ter relações sociais de qualidade.

2. Perguntas incômodas, mas que merecem ser feitas

E aí vem a pergunta que merece ser respondida pelas mães TRIMS com honestidade: seu filho ou sua filha tem um melhor amigo? 

Tem alguma vida social com pessoas que lhe escutem de verdade sem ser você?
Ele tem um número de celular para ligar ou falar sem ser o de algum familiar?  Ela ou ele sabe ir comprar um produto, pegar o troco e se expressar dizendo o que quer, sem sua intervenção ou de alguém para fazer isso? 

Se a resposta for negativa a todas estas perguntas, você está precisando conhecer um lugar como a Cedro Educação onde jovens e adultos fazem amizades entre si, aprendem inglês, informática e regras sociais, se informam sobre notícias importantes e simplesmente se divertem, porque ir à fonoaudióloga, ao psicólogo, ao psiquiatra é mesmo importante mas não é diversão para qualquer pessoa, logo, por que seria para eles?

3- Aquisição de autonomia

Vocês já pensaram qual o grau de dificuldade para um jovem com problemas neurológicos ou de mobilidade, fazer um café numa cafeteira?Pois é, o ato demanda coordenação motora fina, mas talvez em relação a esta tarefa ou tantas outras, as mães TRIMS simplesmente dizem “ah, meu filho não sabe fazer isso. Deixa que eu faço”, mas a realidade é que vocês não aguentam mais tentar ensinar a tarefa. E aí é que entra uma solução genial que vi na Cedro que é ensinar aos jovens e adultos que eles chamam de “educandos” tarefas que lhes deem autonomia, afinal os pais já de uma certa idade não ficarão com eles para sempre.

4- O medo do futuro

Muitas mães com as quais converso, já com uma certa idade, têm a preocupação de falecer e deixar seu filho desamparado porque eles não têm autonomia, e passam anos se amargurando com o fato, mas perguntadas quais medidas práticas tomaram, do tipo fazer um testamento ou deixar desejos por escrito, poucas são as que realmente tomaram esta atitude. 

Em conversas com Márcia e sua sócia Brandira confirmei esta impressão e me perguntei qual a razão para nós, mães, termos tanto medo, tanta cerimônia em tomar soluções práticas que afinal visam ao bem de todos. Me perguntei e ainda continuo me perguntando. Talvez enfim alguma mãe que esteja agora nos lendo possa me explicar o fato.  

5- Fim do dia

Enfim, foi uma manhã de um dia de muitos ensinamentos, muitas trocas e sendo a CamposHumana uma startup na qual o propósito maior é trazer soluções às famílias TRIMS, tornando suas jornadas mais serenas e informadas, agradecemos de coração às sócias da Cedro,  Márcia e Brandira, e também à estagiária e professora Thaís pelo carinho com que nos receberam em seu espaço de construção e transformação, onde fomos por um dia “educandos” e “alunos da vida”. 

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